O dia em que o Feminismo bateu na minha porta

E lá estava eu, largadona na sala esperando começar o show do Rihanna no rock in rio, eu não tinha muita expectativa, apenas queria curtir o som sem pensar muito em nada, já sabia que seria bom, a Riri sempre arrasa. O que eu não sabia era que aquela noite seria devastadora para a comodidade social em que eu me encontrava no momento. Minhas barreiras ruíram.

Créditos: G1
Nunca tive um posicionamento exato sobre feminismo, é claro que questões relacionadas à liberdade feminina já me eram claras, mas não gosto de ficar me rotulando, por isso nunca cheguei a me intitular “feminista”. Outro ponto é que sempre tive, e ainda tenho, muitas dúvidas sobre o assunto.

O fato é que, no instante em que a Rihanna pisou no palco, ele pareceu incendiar, e simultaneamente aquecer a chama Girl Power que estava em algum lugar por aqui, e eu finalmente, da minha forma, compreendi o Feminismo.

Pensei bastante antes de escrever, primeiro fiquei com medo de falar besteira e ser apedrejada, até que me dei conta de que eu sou livre para falar o que quiser, assim como você é livre para não concordar com o que eu afirmar. E então mais fagulhas se levantaram da minha chama girl power – acho engraçado como o pensamento é gradativo, e como um lampejo é capaz de criar outro –. Quando pensei na minha liberdade de poder falar o que quiser, logo pensei também na minha liberdade de pensar o que quiser, fazer o que quiser, e ser o que quiser independente de quem sou, pois todos nascemos, perdão pelo clichê, com direitos iguais, e isso, afinal de contas, não é a base do tal feminismo?

Foi então que olhei novamente para a TV e vi aquela mulher poderosa, cantando sobre esse poder e exercendo-o, tudo isso sem borrar a maquiagem e com o cabelo perfeito! Pasmem, isso ali, sem sombra de dúvidas, foi uma bela demonstração de independência feminina. Levando em consideração nossa sociedade patriarcal, é de se imaginar que inúmeras vezes a Rihanna deve ter sido ofendida e chamada de puta, ou de vadia, ou de qualquer outra coisa que uma mulher bonita que veste roupas curtas e faz o que quer é chamada por aí, agregando muitos mais xingamentos ao lembrarmos de que ela também é negra. 

Créditos: G1
Não sei vocês, mas eu só consigo imagina-la jogando o cabelo, dando as costas, e saindo reboladeira ao ouvir esse tipo de comentário, como toda mulher deve sair. O poderio feminino não se resume apenas a sua intelectualidade, sua paciência, seu talento ou seu alento. Ele deve também ser medido com base na nossa capacidade de enfrentar o mundo.

Entretanto, a subjetividade feminina é o que faz de nós tão perfeitas. Quantos homens já morreram por amor a uma garota, afinal? Mas em contrapartida, quantas meninas já quebraram o coração e a cara por causa de um homem? Andamos tão ocupados nos odiando, que esquecemos o quão necessária é a nossa parceria.

Ser feminista não é ser uma independente louca e desvairada, que odeia os homens e também o mundo por este ser machista. Para mim, ser feminista é passar por cima de tudo isso, é ser sabia para aceitar o que for bom, e descartar o que não acrescenta. Acontece que esse tipo de comportamento não deveria se resumir a um grupo, ou um movimento, o mundo não deveria ser dividido em mulheres feministas vs. mulheres não feministas, tampouco entre homens vs. mulheres.

Eu não vou me recusar a aceitar uma opinião masculina sobre minha menstruação, assim como não vou me recusar a aceitar uma opinião feminina sobre o mesmo assunto. Não vou me sentir insegura com meu corpo porque um cara não gosta dele, assim como não vou dar ouvidos a garotas com mania de ditadoras que julgam qual tipo de corpo é bonito, e qual tipo não é. Não vou me desfazer dos meus cachos porque os homens parecem preferir cabelos lisos, assim como não vou me desfazer deles porque uma garota do colégio disse que eles são feios. Não por essas ações fazerem parte do discurso feminista, mas sim porque eu tenho o direito.

Créditos: escrevalolaescreva.blogspot.com.br/
Sem misandria, sem misoginia, sem opressão, sem revanchismo, é assim que deve ser.  Eu me declaro feminista não porque está na moda, ou porque minha amiga também é, mas porque eu devo isso às milhares de mulheres que perderam e ainda perdem suas vidas, dignidade, e a tantas outras que lutaram por anos e anos para estarmos onde estamos, para permitir que eu possa estar escrevendo esse texto nesse momento. Contudo, deixo clara a relatividade da minha declaração, e o desejo de que o esmagamento da parceria Homem e Mulher (independente de sua preferência sexual, porque estou me referindo a uma união bem menos simplória que esta), e o fascismo que anda se formando por trás de um movimento tão lindo e justo, sejam descontinuados.

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